Interesse público e direitos individuais

Fonte: http://www.questoesdeconcursos.com.br/questoes/f63b97f4-63

Hoje em dia, as relações humanas são fugazes, surgem e desaparecem sem deixar vestígios. O Direito não pode ignorar essa realidade, sob pena de não cumprir sua função: manter a ordem jurídica. O grande desafio é compatibilizar a realização do interesse público com as garantias e os direitos individuais, que têm o fundamental papel de defender o cidadão contra o Estado.

Nesse quadro, os avanços tecnológicos acabam representando uma dificuldade especial. De um lado, as tecnologias à disposição dos particulares muitas vezes são instrumentos para desvios de conduta. De outro lado, para coibir ou punir tais comportamentos, o Estado tem que recorrer a similares tecnologias que invadem a privacidade dos cidadãos.

A questão é como conciliar as imprescindíveis ferramentas de investigação à disposição do Estado com o direito à defesa e ao contraditório, garantias constitucionais. A regra geral é que o direito à defesa e ao contraditório devem ser garantidos aos particulares antes que eles sejam afetados por atos estatais.

Em alguns casos, porém, o oferecimento de oportunidade de defesa antes da atuação estatal é incompatível com o interesse público que ela visa tutelar. É o caso, por exemplo, da apreensão de alimentos contaminados para impedir sua comercialização. Não teria sentido permitir que o comerciante continuasse vendendo alimentos contaminados ao público apenas para que ele pudesse exercer previamente o direito de defesa; a oportunidade de manifestação prévia representaria definitivo prejuízo para o interesse público. Daí porque, em hipóteses excepcionalíssimas, o direito de defesa pode ser flexibilizado, mas apenas no limite indispensável à preservação do interesse público e de forma a representar o menor ônus ao particular.


No caso de escutas telefônicas autorizadas por ordem judicial para fins investigatórios, é possível afirmar com segurança que sua realização não é compatível com o exercício
prévio do direito de defesa, pois, do contrário, elas seriam destituídas de qualquer sentido útil ou prático. Em razão da natureza específica dessa operação, o direito de defesa deve ser garantido após o término do período da quebra de sigilo telefônico.

(Adaptado de Pedro Paulo de Rezende Porto Filho. 10/01/2009. http://www.conjur.com.br )

Eleição DCE/UFBA

Email veiculado no grupo de discussão da minha turma de Gestão Pública e Gestão Social. 

  O único comentário que eu posso fazer é que, pra mim, a situação do Movimento Estudantil descambou para a descaração, no momento que eu soube que a eleição é majoritária. Isto quer dizer que a chapa que vence as eleições leva o Diretório inteiro. Eu nunca vi isto. Quando questionei uns colegas (que faziam a propaganda eleitoral na sala),  me responderam que isto aconteceu em 2006, e que num tal período --  de 2001 até 2003, se não me engano -- foi assim (majoritária) e depois voltou (proporcional). Mas pelo que eu me lembro, e fiz graduação de 99.2 até 2004.1 (março de 2005), nunca teve isto. E o que ficou parecendo é que eles são craques em citar datas e falar do passado (de quando não eram estudantes da UFBA ainda) com muita segurança e propriedade. 

Isto me lembra um professor que tive, recentemente, num curso que fiz: 'Segurança é TUDO!', 'ráaaa!'. Grande Fernando...

Encerrando, eu vou tentar ver as propostas e escolher a melhor chapa...

E aí, você aluno da UFBA, já votou? 'Ni' quem? 

---------- Forwarded message ----------
From: Jamile
Date: 2010/4/27
Subject: Eleição DCE/UFBA
To: gestao-ufba-20101@googlegroups.com


Prezados colegas,

A partir de hoje até o dia 29/04 (quinta-feira) ocorrerão às eleições para o DCE, seguida pela escolha de reitor ou reitora (dias 4 e 5 de maio). Ainda este ano teremos também as eleições para presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual.

Para quem não sabe, o Diretório Central dos Estudantes é a entidade oficial do corpo discente da UFBA com autonomia administrativa, política e financeira, criada com o intuito de servir à comunidade acadêmica e lutar pelos nossos direitos, promovendo debates, organizando eventos. A sede do DCE fica na Rua Caetano Moura, 142, Federação.

São cinco chapas que participam das eleições, compostas por alunos dos Bacharelados Interdisciplinares, Tecnológico e de outros institutos da UFBA:

Conheça as chapas concorrentes:

Durante os últimos dias pudemos perceber como é grande a mobilização. É comum as chapas chegarem com cartazes, adesivos, faixas, camisas, passagens pelas salas. Enfim, algumas pessoas têm aversão à política, preferem fechar os olhos, achar que são impotentes, fingem que estão imunes às decisões que os cercam, que não têm responsabilidade sobre os resultados ou simplesmente votam com base em critérios aleatórios, irrelevantes e sem sentido (“é a chapa do meu amigo”, ou “foi a primeira que eu vi”, etc.). Tempos depois, criticam de forma veemente, mas com tanta propriedade sobre o que dizem quanto um papagaio. Penso que os alunos do curso de Gestão Pública e Social não devem ser assim!

Estamos em uma modalidade de curso diferente, com uma grade interdisciplinar e professores exemplares para nos distanciarmos das questões da universidade. Pense, converse com os membros das chapas, filtre os discursos tendenciosos e vote em propostas.

 

Saudações,

Jamile


           

"10 estratégias de manipulação" das elites

http://www.ccr.art.br/index.php?view=article&catid=36:documentos&id=54:q10-estrategias-de-manipulacaoq-das-elites

ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO POLÍTICA

O lingüista estadunidense Noam Chomsky, que se define politicamente como "companheiro de viagem" da tradição anarquista, é considerado um dos maiores intelectuais da atualidade. Seus estudos sobre gramática generativa tiveram enorme impacto na área da linguística, que ele considera um ramo da psicologia cognitiva. Seu trabalho magistral, "Syntatic Structures", publicado em 1957, não somente influenciou sua área de trabalho, mas diversas outras.

Entre outros estudos, ele elaborou excelentes livros e textos sobre o papel dos meios de comunicação no sistema capitalista. É dele a clássica frase de que "a propaganda representa para a democracia aquilo que o cassetete significa para o Estado totalitário". Como ativista político, manifestou-se contra a guerra do Vietnã e contra o processo de dominação imposto pelo sistema capitalista.

1. A estratégica da distração.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do
texto "Armas silenciosas para guerras tranqüilas")" .

2. Criar problemas, depois oferecer soluções.

Este método também é chamado "problema-reação-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3. A estratégia da degradação.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, é suficiente aplicar progressivamente, em "degradado", sobre uma duração de 10 anos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas têm sido impostas durante os anos de 1980 a 1990. Desemprego em massa, precariedade, flexibilidade, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haviam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de forma brusca.

4. A estratégica do deferido.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública no momento para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, por que o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, por que o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5. Dirigir-se ao público como a crianças de pouca idade.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante.


Por que?

"Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, uma resposta ou reação também desprovida de um sentido critico como a de uma pessoa de 12 anos de idade (ver "Armas silenciosas para guerras tranqüilas")" .

6. Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7. Manter o público na ignorância e na mediocridade.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada as classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre o possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver "Armas silenciosas para guerras tranqüilas")" .

8. Promover ao público a ser complacente na mediocridade.

Promover ao público o achar legal o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9. Reforçar a revolta pela culpabilidade.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E sem ação, não há revolução!

10. Conhecer melhor os indivíduos do que eles mesmos se conhecem.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o individuo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.