O andar do bêbado


O andar do bêbado

Nadar contra a corrente da intuição é uma tarefa difícil. Como se sabe, a mente humana foi construída para identificar uma causa definida para cada acontecimento, podendo por isso ter bastante dificuldade em aceitar a influência de fatores aleatórios (*) ou não diretamente relacionáveis a um fenômeno. Portanto, o primeiro passo em nossa investigação sobre o papel do acaso em nossas vidas é percebermos que o êxito ou o fracasso podem não surgir de uma grande habilidade ou grande incompetência, e sim, como escreveu o economista Armen Alchian, de "circunstâncias fortuitas". Os processos aleatórios são fundamentais na natureza, e onipresentes em nossa vida cotidiana; ainda assim, a maioria das pessoas não os compreende nem pensa muito a seu respeito.

O título deste livro - O andar do bêbado - vem de uma analogia que descreve o movimento aleatório, como os trajetos seguidos por moléculas ao flutuarem no espaço, chocando-se incessantemente com suas moléculas irmãs. Isso pode servir como uma metáfora para a nossa vida, nosso caminho da faculdade para a carreira profissional, da vida de solteiro para a familiar, do primeiro ao último buraco de um campo de golfe. A surpresa é que também podemos empregar as ferramentas usadas na compreensão do andar do bêbado para entendermos os acontecimentos da nossa vida diária.
 
O objetivo deste livro é ilustrar o papel do acaso no mundo que nos cerca e mostrar de que modo podemos reconhecer sua atuação nas questões humanas. Espero que depois desta viagem pelo mundo da aleatoriedade, você, leitor, comece a ver a vida por um ângulo diferente, menos determinista, com uma compreensão mais profunda dos fenômenos cotidianos.

(*) aleatório: que depende das circunstâncias, do acaso;fortuito, contingente. (Houaiss)

(Do prólogo de Leonar Mlodinow para seu livro O andar do bêbado)

lá ele

(recebido por email, se alguém souber o autor, me diga)
 
Realmente, o "lá ele" tem importância fundamental.
 
Informação cultural importante:

O "lá ele" é uma das mais importantes expressões do idioma baianês, mais especificamente do dialeto soteropolitano baixo-vulgar. Segundo os léxicos, a expressão significa "outra pessoa, não eu" (LARIÚ, Nivaldo. Dicionário de baianês. 3ª ed. rev. e ampl. Salvador: EGBA, 2007, s/n).
 
A origem da expressão é ambígua. Alguns etimologistas atribuem seu surgimento às nativas do bairro da Mata Escura, enquanto outros identificam registros mais antigos no falar dos moradores do Pau Miúdo. O certo, porém é que o "lá ele" desempenha papel fundamental em um dos aspectos mais importantes da cultura da primeira capital do Brasil - a sub cultura urbana do duplo sentido.
 
Desde a mais tenra infância, os naturais da Soterópolis são treinados para identificar frases passíveis de dupla interpretação. Da mesma forma, os soteropolitanos aprendem desde cedo a engendrar artimanhas para que seu interlocutor profira expressões de duplo sentido.
 
Assim, as pessoas vivem sob constante tensão vocabular, cuidando para não fazer afirmações que possam ser deturpadas pelo interlocutor. Para indivíduos do sexo masculino, por exemplo, é vedado conjugar na primeira pessoa inocentes verbos como "dar", "sentar","receber", cair", "chupar" etc. O interlocutor sempre estará atento para,ao
primeiro deslize, destruir a reputação de quem pronunciou a palavra proibida.
 
Como antídoto para a incômoda prática, o "lá ele" surgiu como uma ferramenta indispensável na comunicação do soteropolitano. Assim, o indivíduo que falar algo sujeito a interpretações maliciosas estará a salvo se, imediatamente, antes da reação de seu interlocutor, falar em alto e bom som "lá ele!"
 
Por exemplo, qualquer homem, por mais macho que seja, terá sua orientação posta em dúvida se falar "Neste Natal comi um ótimo peru". Contudo, se sua frase for "Neste Natal comi um ótimo peru, lá ele!", não haverá qualquer problema. No mesmo diapasão, confira-se:  
  1. se um colega de trabalho enviar um e-mail perguntando "vai dar para almoçar hoje?", não se pode redargüir apenas "Sim"; deve-se responder "Vai dar lá ele. Vamos almoçar"; 
  2. se, na pendência do pagamento de polpudos honorários, um advogado perguntar ao outro "Já recebeu?", a resposta deverá ser "Recebeu lá ele. Já foi pago"; 
  3. ou, ainda, se alguém tiver a desdita a desdita de nascer no citado bairro do Pau Miúdo, o que poderá transformar sua vida em um interminável festival de chacotas, deverá sempre valer-se da ressalva: "eu sou do Pau Miúdo, lá ele". 
 
Para melhor compreensão da matéria, reproduz-se abaixo um exemplo real, ocorrido no último domingo durante a transmissão do épico triunfo (vitória é coisa de chibungo, lá ele) do glorioso Esporte Clube Bahia sobre o Atlético de Alagoinhas:
 
  • Locutor: "Subiu o cartão amarelo?" 
  • Repórter: "Subiu o amarelo e o vermelho."
  • Locutor: "Mas você está vendo subir tudo!"
  • Repórter: "Lá ele!" 
 
Note-se que o "lá ele" pode sofrer variações de gênero e número, de acordo com a palavra que se pretende neutralizar. Se, antes de uma sessão do TJBA, alguém perguntar "Você conhece os membros da turma julgadora?", deve-se objetar com veemência: "Lá eles!". Ou se o cidadão for à Sorveteria da Ribeira e lhe perguntarem "Quantas bolas o senhor deseja?", é de todo recomendável que se responda "Duas, lá elas, por favor".
 
A cultura duplo sentido oferece outros fenômenos da comunicação interpessoal. Veja-se, a título de ilustração, o sufixo "ives".
 
Em Salvador, não se pode falar palavras terminadas em "u", principalmente as oxítonas. Independentemente de sexo, idade ou classe social, o indivíduo poderá ser mandado para aquele lugar (lá ele). A pronúncia de uma palavra que dê (lá ela) rima com o nome popular do esfíncter (lá ele) será prontamente rebatida com a amável sugestão. Para fazer face ao problema, a vogal "u" passou a ser costumeiramente substituída pelo sufixo "ives".
 
Destarte, o capitão da Seleção de 2002 é tratado como "Cafives"; o Estádio de Pituaçu virou "Pituacives"; o bairro do Curuzu se tornou "Curuzives"; a capital de Sergipe sói ser chamada de"Aracajives"; e as pessoas que atendiam pela alcunha de Babu, com frequência utilizada na Bahia para apelidar carinhosamente pessoas de feições simiescas, há
muito tempo passaram a ser chamadas de "Babives".
 
Um alentado estudo do "lá ele", que tem outras aplicações práticas além daquelas ora examinadas, pode ser encontrado na obra http://ohsuamisera.blogspot.com/2008/10/oxente-rapaz-l-ele.html. Para o "ives", recomenda-se o estudo de http://www.bbmp.com.br/?p=399, que inclusive analisa a relação do sufixo com a expressão "lá ele".

para refletir: sobre a moralidade, em geral, dos ateus

Texto interessante, que vai de acordo com o meu pensamento (na verdade, convicção): a moral não vem da religião.

http://maesouateu.wordpress.com/2009/08/10/paises-ateus-sao-mais-justo-confirmam-pesquisas/

Países ateus são mais justos, confirmam pesquisas.


Faz quase um século e meio que o famoso escritor russo Dostoievski proferiu a famosa frase em “Os Irmãos Karamazov”: Se Deus não existe tudo é permitido. Muitos religiosos expressam com essa frase a idéia de que sem a crença em algo divino os homens não teriam um limite, nenhuma razão para fazer o bem. Sem a promessa de uma vida eterna e feliz os homens não fariam o bem a fim de buscá-la e sem a ameaça de um tormento eterno para quem não controlasse seus instintos, os homens não conseguiriam controlar-se e perder-se-iam em hedonismo. Mesmo que, como disse Bertrand Russel, uma virtude que tem suas raízes no medo não seja lá muito digna de ser admirada, para muitos ela é a única possível para nós, pecadores por natureza. Apontam casos onde o ateísmo predominou e o que se seguiu foi uma série de enormes barbáries, como na antiga União Soviética. Mas não poderia haver mesmo possibilidades de se levar uma vida ética e justa sem Deus?

Segundo o sociólogo norte-americano Phil Zuckerman isso é efetivamente possível. De acordo com uma pesquisa que ele realizou e publicou em seu livro “Society Without God – What the Least Religious Nations Can Tell Us About Contentment” [Sociedade sem Deus – O que as nações menos religiosas podem nos dizer a respeito da satisfação], os países menos religiosos do mundo são os mais justos, mais éticos, possuem forte economia, baixa taxa de criminalidade, os mais altos índices de qualidade de vida, altos padrões de vida e igualdade social. Ao contrário, os países mais religiosos são aqueles com maior desigualdade, criminalidade, corrupção, injustiça e outras pragas sociais, como Brasil. Com essa pesquisa ele provou que é errada a crença dos norte-americanos e de outras pessoas (como os brasileiros) de que um país sem Deus inevitavelmente cairia na criminalidade, na imoralidade e na degeneração. Muito pelo contrário, os países mais éticos e justos são a Suécia e a Dinamarca, que são os países com maior quantidade de ateus no mundo e com baixíssima religiosidade (recentemente outra pesquisa mostrou que os dinamarqueses são as pessoas mais felizes e satisfeitas do mundo). Mostra algo que todos os ateus já sabiam e que somente os crentes ignorantes sobre o assunto alimentam com seu preconceito: é possível valorizar o bem, a justiça, o homem e a vida por si mesmos, sem precisar acreditar que Deus nos castigará se não o fizermos. Completa Zuckerman:

“Os dinamarqueses e os suecos têm um respeito muito forte pela dignidade humana. Eles criaram sociedades com as menores taxas de pobreza do mundo, as menores taxas de crimes violentos do mundo e o melhor sistema de educação e de saúde do mundo. Eles fizeram isso não como uma tentativa de agradar ou alcançar Deus, mas porque vêem um valor manifesto na vida humana e acreditam que o sofrimento é um mal em e além de si mesmo.”

(Entrevista na íntegra: http://integras.blogspot.com/2008/12/pas-menos-religiosos-so-os-mais.html)

Encontrei os números em um site evangélico:

“Suécia (85%), Vietnam (81%), Dinamarca (80%), Noruega (72%), Japão (65%) e República Checa (61%) respectivamente, encabeçam a lista, seguidos por Finlândia (60%), França (54%), Coréia do Sul (52%), Estônia (49%), Alemanha (49%), Rússia (48%), Hungria (46%), Holanda (44%), Inglaterra (44%) etc. Todos esses países possuem alta renda per capta, exceto o Vietnam, onde o ateísmo não é orgânico, mas coercivo, isto é, imposto ou induzido pelo regime político ou religioso. Essa situação é encontrada também nos países do continente asiático – o mais populoso do mundo –, na Oceania e no Oriente Médio.”

(Fonte: http://www.revistaenfoque.com.br/index.php?edicao=74&materia=837)

Outra fonte vem de Sam Harris, famoso filósofo ateu norte-americano em “Carta A Uma Nação Cristã”, onde ele mostra que os países mais desenvolvidos, justos e igualitários do mundo são compostos, em sua grande maioria, por ateus e não-religiosos. Nações desenvolvidas, mas que são muito religiosas, como os Estados Unidos, possuem taxas de criminalidade, injustiça, desigualdade, etc. menores que as dos países subdesenvolvidos, mas no entanto ficam muito aquém dos países ateus da Europa. Os Estados Unidos são um país com alta taxa de criminalidade, ao contrário dos países “ateus” do norte da Europa. Sam Harris mostram ainda que a criminalidade na Europa poderia ser ainda menor se não fosse por conta da imigração. Mostra que na França, 70% (!) dos detentos nas prisões francesas são muçulmanos. A quantidade de ateus nas prisões francesas é muito pequena. Ao contrário do Brasil, onde o ateísmo não chega a 5%, portanto seria normal não encontrar muitos presidiários ateus (e não encontram), na França existem muitos ateus, mas eles não saem por ai cometendo todos os tipos de crimes. Sam Harris continua:

“Noruega, Islândia, Canadá, Suécia, Suíça, Bélgica, Japão, Holanda. Dinamarca e Reino Unido estão entre as sociedades menos religiosas da Terra. De acordo com o Relatório do Desenvolvimento Humano das Nações Unidas (2005), essas sociedades também são as mais saudáveis, segundo os indicadores da expectativa de vida, alfabetização, renda per capta, nível educacional, igualdade entre os sexos, taxa de homicídio e mortalidade infantil.”

Dostoievski estava errado. É possível viver bem, justa e eticamente sem Deus. Muitos acham que os ateus, por não acreditarem em Deus, também não acreditam em valores morais, mas é justamente o contrário. Ateus acreditam no bem, no amor, na igualdade e na justiça. Mas diferentemente dos crentes, os ateus pensam em tais coisas com bens em si mesmos. Não pensamos que devemos ser justos e morais porque se não fôssemos assim seríamos punidos por um ser superior, mas devemos ser justos e morais porque isso é o certo. Além do mais, acreditar em Deus não garante um comportamento mais moral e justo, por isso existem as leis escritas e a polícia. Mesmo que todos acreditassem em Deus e freqüentasse a Igreja todos os Domingos, muitos deles não cometeriam crimes, não por fé em Deus, mas por medo da justiça dos homens mesmo.

Se os ateus são mesmo os monstros devassos pintados pela religião e pela Bíblia, como eles conseguiram formar uma sociedade mais justa e igualitária que os religiosos? Zuckerman responde:

“Não é necessário acreditar em Deus para acreditar na justiça. De fato, se poderia argumentar que aqueles que acreditam fortemente em Deus podem ser mais indiferentes e assumir que “tudo está nas mãos de Deus”, enquanto que os seculares sabem que a possibilidade de construir uma vida e um mundo melhores está nas mãos deles e apenas deles. Então, os dinamarqueses e os suecos contaram apenas com o seu próprio esforço – não com orações a Deus.”

Igor Roosevelt

Sites gratuitos para gerenciamento financeiro pessoal

Em um texto anterior, eu repliquei, do blog de Fernando Gonzaga, um ótimo tutorial para usar o Badger-Finance no dreamhost[1]. Para os mais desenvoltos, o Badger tem um instalador para windows, caso o usuário queira usar em seu desktop. Se for usuário linux, é só instalar um apache+php+mysql na própria máquina e instalar o Badger em seguida. 

Já os usuários mais leigos, ou que por algum motivo não querem ter o trabalho de instalar o software web, podem usar este mesmo tipo de solução em sites grátis, em português. Eu já tinha visto o MeuTutu, mas nunca o experimentei (e tinha até esquecido o nome). Pra minha alegria, acabo de ver uma mensagem de Antônio Azevedo para lista GTDBR, citando o MeuTutu e outros sites brasileiros, gratuitos, para gerenciamento financeiro pessoal, controle de investimentos e do orçamento. Obrigado, Antônio! 

Após testar todos os links, a lista segue abaixo:
Aviso importante: eu nunca usei nem testei nenhum destes sites acima. O motivo principal para eu usar o Badger-Finance é que a idéia de armazenar minhas informações financeiras em bancos de dados que eu não detenho o controle é bastante desagradável. Se for usar, leia os termos de uso e de privacidade.

[1] - Estou com alguns PROMO CODES para quem quiser fazer uma conta lá com um descontinho. Deixe um comentário neste blog ou me mande um email.